quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

A Pedagogia da Autonomia, Saberes Necessários ao Professor, Paulo Freire, Paz e Terra;
Conversas com Quem Gosta de Ensinar, Rubem Alves, Artes Poéticas;
Ensinar e Aprender na Educação Infantil, Eulália Bassedas, Teresa Huguet e Isabel Solé, Artes Médicas;
Era Assim, Agora Não, uma Proposta de Formação de Professores, Regina Scarpa, Casa do Psicólogo;
O Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem, Telma Weisz com Ana Sanches, Ática.

Fonte:http://www.piodecimo.com.br/faculdade/download/pedagogia_plena/REEDUC/nova_pagina_2.htm

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O professor e a tecnologia: um encontro possível com a filosofia

6.5.07

O professor e a tecnologia: um encontro possível com a filosofia

De acordo com Eduardo Chaves, autor do texto, discutir a questão da introdução da tecnologia na escola remete a uma importante reflexão sobre questões da filosofia da educação.
Para ele o principal desafio da inclusão digital na escola está ligado ao fato de os educadores terem visões muito diferentes do que seja a educação, qual o papel da escola e dos próprios professores quanto à educação escolarizada. O autor afirma que não há concordância entre eles sobre qual deva ser o papel do computador na escola.
Chaves aponta duas visões de educação e como cada uma adota o computador no ambiente escolar.
De um lado estão os que vêem a educação escolar como processo de transmissão de conteúdos informacionais pelos professores aos alunos. O computador é utilizado apenas como máquina de ensinar, ou melhor, como máquina para ajudar o professor ensinar melhor.
Do outro lado estão os que vêem a educação escolar como processo de desenvolvimento pelos alunos, tendo como base o papel desses na construção ou elaboração de sua própria aprendizagem. Os defensores dessa visão acreditam que a escola deva oferecer ambientes favoráveis de aprendizagem para os alunos desenvolverem estruturas cognitivas que se traduzem em competências e habilidades permitindo-lhes sempre aprender. O computador, portanto, dentro dessa visão é utilizado com ferramenta de aprender.
Fica claro, que são duas visões diferentes de educação que determinam consequentemente qual será a importância dada pelos professores quanto ao uso da tecnologia no processo educacional.
O autor reforça que é preciso estar ciente que a tecnologia tanto na escola como em qualquer outro lugar não promove mudanças por si só. Depende das pessoas que utilizam elas para alcançar alguns de seus objetivos.
A pergunta que se faz necessária é: quais são os objetivos da educação? Como o uso do computador pode colaborar com tais finalidades da educação escolar?
É importante refletir sobre que sentido terá o uso do computador na escola. Professores precisam se posicionar buscando pautar nos objetivos da educação, revendo sempre os fins e os métodos utilizados para proporcionar uma educação inovadora, que esteja comprometida com a aprendizagem significativa para os alunos.


Link para visualizar o texto:http://www.escola2000.org.br/pesquise/texto/textos_art.aspx?id=21


Educação à distância e a formação continuada do professor

5.5.07

Educação à distância e a formação continuada do professor

De acordo com o texto os cursos de formação devem instigar no educando uma postura reflexiva e investigativa da sua própria ação.
Os cursos oferecidos via internet, tais como "Especialização em desenvolvimento de projetos pedagógicos com o uso das novas tecnologias da informação e comunicação", vem apresentando resultados satisfatórios no desenvolvimento da interação e trabalho colaborativo, buscando assim qualidade no ensino da parte dos educadores e inovações metodológicas para os alunos.
É válido o investimento nos cursos de formação continuada, quando percebemos que a relação teoria e prática está presente no "fazer pedagógico". Acredito ser um dos caminhos que nós, educadores, devemos investir para buscar melhoria no ensino do país.
posted by Bernadete Vieira | 3:20 PM

PEDAGOGIA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

5.5.07

PEDAGOGIA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

PEDAGOGIA E AS NOVAS TECNOLOGIAS

autora discute inicialmente no texto as inúmeras informações as quais somos bombardeados todos os dias.Diante dessas informções,para que o conhecimento seja válido é necessário,ser e crítico e filtrar as mesmas recebidas.para ela, a inserção das novas tecnologias no âmbito educacional se faz urgente.Mas a sua urgência não está apenas em incluir o computador,mas formar cidadãos capazes de sobressaírem diante da sociedade do conhecimento.nesse artigo salienta a responsabilidade dos cursos de pedagogia em formar alunos que não permitam que técnicos,engenheiros e professores de informática assumam o uso das novas tecnologias na educação tornando-as apenas operacionais.No texto define tecnologias da informação e tecnologias da comunicação como mediadoras do processo ensino-aprendizagem.Discute também o uso inteligente e das tecnologias e o contrário,ressaltando a importância da primeira no processo ensino-aprendizagem.segundo o texto o professor não deve ser treinado apenas operacionalmente para o uso das novas tecnologias,e sim serem capacitados metodologicamente e filosoficamente para o uso das NTCIs na sua prática pedagógica,salientando a importância da preparação dos cursos de pedagogia para a preparação desses profissionais.Finaliza o texto afirmando que não é a inserção do computador que mudará as questões educacionais ,mas o seu uso de forma devida e crítica diante daquilo que a escola já oferece.
http://www.utp.br/mestradoemeducacao/pubonline/cortelazzoart.html
posted by Drika | 11:19 PM

Educação Tecnológica Contextualizada, ferramenta essencial para o Desenvolvimento Social Brasileiro-Resumo-Janeiro/2011.

Educação Tecnológica Contextualizada, ferramenta essencial para o Desenvolvimento Social Brasileiro

Ciliana R. Colombo, Walter A. Bazzo1

Resumo:

O presente artigo traz uma reflexão sobre as interferências da tecnologia no desenvolvimento do ser humano, em especial da sociedade brasileira, cuja proposta de modernização segue um caminho pautado no desenvolvimento tecnológico. Esta proposta seguida muitas vezes a risca pelos governantes é, no entanto, desprovida de reflexão, incluindo, em muitos casos, a absorção de tecnologia estrangeira sem qualquer adaptação contextual, acentuando a exclusão e aumentando ainda mais a desigualdade social de nosso país. Na perspectiva de mudança desse quadro, este estudo faz um apanhado das alternativas apresentadas por autores nacionais e estrangeiros, que aprofundam o tema Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) que pode ser uma variante na compreensão deste fenômeno. Através destas muitas alternativas, algumas delas ainda desconhecidas, ou pouco trabalhadas nos meios acadêmicos, tal proposta preocupa-se em apresentar uma perspectiva de trabalho em educação tecnológica, com o intuito de levar a sociedade brasileira a uma participação mais efetiva no desenvolvimento tecnológico associado ao desenvolvimento social do país.

Tecnologia: uma reflexão sobre suas interferências

1. Tecnologia: uma reflexão sobre suas interferências

Não somos culpados pelo mundo que encontramos ao nascer. Mas precisamos, na medida de nossas possibilidades, fazer alguma coisa pelo mundo que está sendo construído (ou destruído). E que será herdado aos que hão de vir. (Gilberto Cotrim)
A tecnologia é hoje parte inerente da vida do ser humano de modo que não conseguimos nos ver separados dela. Muitas vezes concebemos a nós mesmos como complexas máquinas físico-químicas com um cérebro, que pode ser comparado a um potente e complicado computador. Porém devemos estar alerta quanto a reduzirmo-nos a um simples objeto da técnica, ou vincular a realização de nossos sonhos e a resposta a nossas angústias aos avanços tecnológicos.
Na nossa ânsia para alcançar o progresso tecnológico, não levamos em conta suas implicações sociais relacionadas aos hábitos, percepções, conceitos, limites morais, políticos e individuais. Passamos por cima de algumas questões de suma importância tais como a fome mundial, a degradação do meio ambiente, as armas nucleares que ameaçam destruir toda a vida do planeta e, mais forte que nunca, a manipulação genética.
Estes são alguns dos aspectos que nos levam a perceber a premência de refletirmos sobre a utilização da ciência e da tecnologia, para podermos realizar escolhas tendo como referências os valores ‘humanos’. Enquanto pertencentes a um país dependente, que faz uso de tecnologias transferidas sem uma adequação à realidade nacional, intensifica-se, em nós, essa necessidade.
Assim sendo, desencadeamos reflexões sobre as interferências da tecnologia no desenvolvimento da sociedade brasileira buscando possibilidades de socialização de seus resultados, sejam eles positivos ou negativos. Com a visão de que o desenvolvimento tecnológico leva-nos diretamente ao desenvolvimento social fomos progressivamente vinculando o desenvolvimento humano aos avanços tecnológicos deixando de considerar os desvios que ocorrem. Cegamo-nos às diversas implicações negativas desse processo de desenvolvimento passando a perceber apenas o que de positivo prometem trazer os avanços tecnológicos.
Um interessante problema de nossos tempos é que estivemos adormecidos voluntariamente através do processo de reconstrução das condições da existência humana, não percebendo que o desenvolvimento tecnológico, não favorece a satisfação das expectativas no tocante às necessidades humanas, ao contrário, o padrão consiste em ajustar as necessidades humanas ao que a ciência e a tecnologia produzem.
No final da década de 60 e início de 70 as idéias e pressuposições, até então irrestritamente favoráveis aos benefícios sociais decorrentes do desenvolvimento tecnológico, começaram a ser questionados nos países desenvolvidos como reação aos reflexos negativos da tecnologia sobre a natureza. (Acosta-Hoyos; Guerrero, 1985). Hoje estes questionamentos, cremos, em função da avalanche tecnológica de nossos dias, estão se tornando mais intensos.
No Brasil, estamos começando a nos questionar acerca disso tudo, e a refletir sobre algumas questões mais emergentes, que vem sendo discutidas em nível mundial.
Como estamos vivendo agora? Como pretendemos viver? O imenso poder científico e técnico, produzirá um mundo genuinamente superior ao que tínhamos antes; ou permaneceremos estagnados diante de uma acumulação de renovações descuidadas e desordenadas que destróem mais que melhoram? Por que a ciência e a tecnologia não têm tido sucesso em solucionar o problema mais humano de todos: a qualidade de vida? Como nosso país está tratando os impactos oriundos da tecnologia na sociedade?
Ainda que reflexões como estas aflorem em alguns segmentos da sociedade grande parte da população, que vive nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, permanece enraizada no determinismo tecnológico, vaga num profundo sonambulismo, e considera a tecnologia neutra destituída de valores como uma espécie de crença sem questionamentos. As reflexões e análises, que raramente ocorrem, em geral, baseiam-se na inadequação da tecnologia, ao invés de analisar as questões sociais e políticas que envolvem tanto a escolha quanto a incorporação das mesmas.
Não se trata de ver a tecnologia apenas como negativa e de prescindir da mesma, mas sim de discutir a validade de tomá-la como algo absoluto, de compreender que não existe neutralidade nas inovações tecnológicas, que elas podem ser utilizadas para o bem e para o mal, a favor ou contra o homem.
Essas afirmações são corroboradas por Winner (1987, p. 42), quando diz que toda descoberta é preparada de antemão para favorecer certos interesses sociais e algumas pessoas inevitavelmente recebem mais que outras.
Cientes disso, os cientistas precisam preocupar-se com a aplicação dada a suas descobertas e teorias; devem manter-se alerta para a utilização que será dada a elas, pois é evidente que as tecnologias podem ser utilizadas de maneira a aumentar o poder, a autoridade, o privilégio de uns sobre os outros. Nesta direção Sanmartín (1990, p. 62) afirma que mais além dos projetos, teoricamente incorporados por uma tecnologia, que a fazem apropriada para uma ou outra forma de vida, estão as redes reais de interesses sociais nas quais a tecnologia em questão já nasce ligada.
Zarth et al. (1998, p. 35-36), destaca que a “tecnologia é o instrumento mais adequado para se impor uma dominação e controle sobre a natureza e sobre a sociedade” e que o progresso tecnológico, de certo modo, se constitui em estratégia do desenvolvimento capitalista, não necessariamente vinculada às necessidades básicas da população; tornando-se “um fator ideológico pelo fato de irradiar a idéia de que ele representa o caminho do bem estar social para todos os segmentos sociais”.
Entendemos que o foco do problema não está na inexorabilidade do progresso tecnológico, mas sim na orientação e determinação de prioridades que os governos dos mais diferentes países do mundo têm formulado para a tecnologia. Esta não pode ser direcionada para servir de base para promoção dos interesses de poucos. A sua ênfase deve convergir para a promoção humana, expressa em termos da qualidade de vida.
Diante do exposto, cabe a reflexão diretora deste nosso estudo: que influências da tecnologia detectamos em nossas vidas? Algumas respostas e afirmações já vem sendo oferecidas, como resposta a esta pergunta, por diversos estudiosos neste campo como podemos ver a seguir:
  • A tecnologia levou a um aumento da expectativa de vida, a um mundo interligado/globa-lizado, e ao acesso a informação de forma veloz.
  • Culturalmente, nos foi passada a imagem de que a tecnologia está diretamente associada a civilização e ao progresso, induzindo-nos à adoção de novos padrões sociais.
  • A tecnologia é usada para sobrepujar a natureza, submetendo-a à constantes agressões e utilizações indevidas. Tal constatação é reforçada por Winner (1987, p. 103), quando diz que “recursos não renováveis requeridos por gerações futuras são extraídos e rapidamente consumidos confiando em que, de alguma maneira, ‘o mercado’ produzirá um fornecimento inesgotável”.
  • A automatização industrial alterou o perfil profissional. Isto exigiu dos trabalhadores a busca por uma atualização constante, gerou a diminuição do emprego estrutural e contribui para a migração ao mercado informal.
  • O não acesso às tecnologias, por parte de toda a população acentua a exclusão social, aumentando a desigualdade social. Ou seja, modernidade para poucos e falta de educação, saneamento, habitação, saúde e lazer para muitos.
  • A influência dos meios de comunicação na conformação pela introdução de novas tecnologias e na aceitação natural, conformismo levando os seres a pensar que não há outras possibilidades que não se sentar a observar o desenrolar deste processo inevitável.
Tudo isso reforça o que Winner (1987, p. 25), traz nesta citação:
“os hábitos, as próprias percepções, os conceitos, as idéias de espaço e tempo, as relações sociais e os limites morais e políticos, individuais, foram poderosamente reestruturados no decorrer do desenvolvimento tecnológico moderno. (...) Se produziram grandes transformações na estrutura de nosso mundo comum sem levar em conta o que implicavam estas alterações”.
Estes aspectos discutidos acima, mostrando a interferência e a magnificência da tecnologia frente ao desenvolvimento humano, ficam evidenciados através do lema que abria o roteiro da Exposição Universal de Chicago em 1933 (Sanmartín, 1990, p.28): “A ciência descobre, a industria aplica, o homem se ajusta”, situação que ainda hoje se constata na grande maioria dos casos. O demagógico desse ajustar-se não está no controle pretendido por determinadas sociedades dominantes quando da venda de produtos sob a promessa de que vão conceder um paraíso tecnológico, mas essencialmente na crença da população nesta promessa. Felizmente emergem aqui e acolá reações a essa crença, a esse ajustar-se. Winner (1987) destaca que o crescimento de certas tecnologias tem levado a um reconhecimento de seus limites e que muitas pessoas estão dispostas a considerar a possibilidade de limitá-las, dado que sua aplicação/utilização ameaça a saúde e a segurança pública; ameaça esgotar alguma fonte vital; degrada a qualidade do meio (ar, terra e água); ameaça as espécies naturais e os territórios virgens que devem ser preservados; e causa tensões sociais e esforço exagerado.
No reconhecimento dos limites do progresso tecnológico o que se sobressai é, na verdade, a necessidade de uma ética da tecnologia. Segundo Mitcham (1996) a ética da tecnologia se fundamenta sobre um amplo questionamento moral da tecnologia científica, ela se refere a intenção geral de adaptar a tecnologia como um todo, não somente frente as questões ambientais, nucleares, de armamentos, da biotecnologia, mas incluir questões mais amplas relacionadas a sociedade.
Hoje, para mudar a sociedade, afirma Sanmartín (1990, p. 63) não basta, pois, substituir umas tecnologias por outras (ainda que isso possa ser algo valioso por si). É necessário mudar a política tecnológica. O que teria que se fazer é fixar socialmente metas e favorecer, logo, as tecnologias que se estime socialmente mais oportunas para satisfazê-las.
Isso nos remete à reflexão feita por Pacey (1990) no que tange à tecnologia como algo que proporciona ferramentas independentes dos sistemas de valores locais e que podem utilizar-se imparcialmente em apoio de estilos de vida substancialmente diferentes. Entendemos que esta visão é que proporciona a transferência de tecnologias entre sociedades sem considerar suas especificidades, sem refletir que de algum modo a tecnologia condiciona a sociedade.
Nessa questão cabe bem a situação brasileira pois, o Brasil ao colocar em prática um projeto de desenvolvimento baseado em tecnologia importada, incorporou os modos de produção e também as formas de conhecimento do produtor. Ou seja, transformou nossa sociedade moldando-a à imagem da sociedade que produziu a tecnologia.
Outra questão relativa a interferência da tecnologia na sociedade brasileira está ligada ao poder e controle que dela pode emergir. Quando não há democracia no acesso ao desenvolvimento tecnológico, caminhamos para a diferenciação social, para a exclusão social. Aspectos estes, que dentro da dinâmica de uma sociedade contemporânea são instrumentos de poder e de controle. No Brasil, é o Estado que promove o desenvolvimento da base técnica produtiva, num processo não de igualdade de acesso aos fatores tecnológicos, mas beneficiando os sujeitos sociais com melhores condições técnicas e de capital. Cerca de 95% da população brasileira não tem acesso às tecnologias, e quando tem sofre influências negativas pela não adaptação ao seu contexto.
Os problemas relacionados à tecnologia em determinado contexto social geralmente são resolvidos sem levar em consideração a opinião pública. Por outro lado, a própria população, por falta de informações/conhecimento, se excluí do processo de reflexão acerca das interferências dos avanços tecnológicos na sociedade.
Emerge, desse contexto, a necessidade de uma reflexão moral que investigue e desenvolva temas que incluam: a minimização da desigualdade social, o acesso a informação, o futuro da sociedade, a socialização da tecnologia e do saber científico-tecnológico, visando uma participação de todos nas decisões relativas à tecnologia.

Recortes da Realidade Brasileira: Sua Opção de Desenvolvimento

2. Recortes da Realidade Brasileira: Sua Opção de Desenvolvimento

A partir das relações do homem com a realidade, resultantes de estar com ela e de estar nela, pelos atos de criação, recriação e decisão vai ele dinamizando o seu mundo. Vai dominando a realidade, vai humanizando-a. Vai acrescentando a ela algo de que ele mesmo é o fazedor. (...) Faz cultura. (Paulo Freire)
Muitas vezes, na ânsia do progresso científico e tecnológico, não se leva em consideração as implicações sociais relacionadas. Se faz opções que desconsideram questões de suma importância para a sociedade e para os seres humanos nela inseridos.
As opções de uma sociedade por um caminho para seu desenvolvimento tem implicações em sua estrutura política, econômica, social e cultural. Certas escolhas podem trazer prejuízos para a própria classe que decide e se beneficia das decisões.
O resgate do contexto histórico, social, cultural, político e econômico da sociedade brasileira frente a sua opção de desenvolvimento nos mostra que esta vem sofrendo crises em diversos áreas, principalmente na social. Crises estas com origem em decisões, projetos e escolhas feitas no passado, e relativas não apenas aos meios escolhidos, mas também aos fins a que se propunha a sociedade. (Buarque, 1994)
Na busca pelo desenvolvimento rápido e, muitas vezes eleitoreiro, o país não seguiu um processo gradativo de mudanças. Teve a expectativa de um desenvolvimento imediato e desse modo, fez algumas opções, tal como: em poucas décadas sair de uma estrutura basicamente rural, exportadora de produtos agrícolas, para uma estrutura urbana, industrial e exportadora de produtos manufaturados.
Diferente de outros países, que antes da industrialização fizeram uma revolução agrícola, o Brasil, sem modificar sua estrutura agrária, desenvolveu uma economia descomprometida e isolada dos trabalhadores rurais e sem a produtividade para alimentar os trabalhadores urbanos. Segundo Buarque (1994) essa opção foi a responsável por grande parte do desastre que vive a economia e a sociedade brasileira hoje, tendo como conseqüências explosão urbana, violência, inflação, fome, desemprego, desarticulação cultural, instabilidade social, dentre outras.
Além de não realizar a reforma agrária, no processo de industrialização, o país optou por desconsiderar as alternativas nacionais passando a importar técnicas disponíveis no exterior, desprovidas de sintonia com as necessidades da população brasileira e a realidade do país; sem a menor adaptação às características nacionais, longe de qualquer questionamento se esse processo conduziria à superação de nossas próprias carências e ao melhor aproveitamento de nossas potencialidades. “O país preferiu identificar seu projeto nacional com a própria técnica importada, e caminhou para simplesmente imitar as técnicas estrangeiras dos países-com-maioria-rica”. (Buarque, 1994, p. 29). Nos parece que, neste aspecto, as escolas que trabalham com a educação tecnológica tiveram contribuição significativa num erro estratégico que até hoje vem nos cobrando um preço muito alto pelas significativas mazelas produzidas na sociedade brasileira. Alguns exemplos onde um direcionamento diferenciado no Ensino Tecnológico teria tido influências decisivas: o Brasil dispunha de carvão vegetal, mas implantou a siderurgia com base no carvão mineral, optou pelo transporte rodoviário abandonando navegação de cabotagem, hidrovias e ferrovias, ou seja, não usou o seu potencial contextualizado e até hoje continua a agravar estes problemas.
O nosso modelo de industrialização seguiu o modelo de absorção das tecnologias estrangeiras e desse modo foi formando sua sociedade de acordo com os moldes que melhor serviam ao seu avanço, em diversas situações irracional. A importação não se limitou aos métodos de produção, avançou nas necessidades, ou seja, em todas as formas de conhecimento; ela se deu em nível micro nos métodos de produção, e em nível macro no estilo de sociedade.
A adoção do modelo de industrialização, com absorção de tecnologia externa, levou-nos a um padrão de consumo excludente que afastou do mercado, e da cidadania a maioria da população brasileira, pois, este padrão, pressupõe o aumento de poder de consumo de uma minoria (rica) e não a incorporação da maioria (pobre).
O sonho da industrialização e da urbanização, nos foi formulado como uma resposta ao atraso, a pobreza. O esforço em alcançá-las seria compensador na medida em que eliminaria essas mazelas (Benjamim et al., 1998). Em função desse sentimento, o país, concentrou esforços e rendas na infra estrutura econômica a qual permitiria à chegada mais rápida dos avanços, desenvolvendo dessa forma uma modernidade essencialmente técnica sem levar em consideração valores éticos e objetivos sociais. Como não tínhamos recursos para investir tanto na área econômica quanto na social, optou-se pela econômica.
A conseqüência da opção pela infra estrutura econômica em detrimento da área social foi “um país que chegou a ser a oitava potência econômica do planeta e ao mesmo tempo a penúltima sociedade em educação e saúde, a pior em concentração da renda, e uma das mais sofridas em fome e violência” (Buarque, 1994, p. 56).
A comprovação disso tudo pode ser buscada nestas afirmações que encontramos em Buarque (1994, p. 97-99) que demonstra o que essa modernidade técnica significou para a sociedade brasileira:
  • um parque gráfico eficiente tecnicamente, mas uma população com 30% de analfabetos e com apenas 9% concluindo o ensino básico;
  • jornais modernos com um número de leitores estagnado;
  • uma saúde moderna com transplante de órgãos, ao mesmo tempo que persistem as mais arcaicas doenças endêmicas e uma das maiores taxas de mortalidade infantil no mundo;
  • uma televisão colorida e em cadeia nacional, mas sem qualquer compromisso educativo e sob a mais brutal censura de informações e idéias;
  • uma indústria automobilística símbolo da modernidade, enquanto 80% da população não recebe um salário suficiente para pagar o ônibus entre a casa e o trabalho;
  • uma produção de automóveis com ar condicionado utilizado como status ou para isolar os passageiros do indesejado contato com os pedintes, vendedores ambulantes, meninos de rua; e não para controlar o calor;
  • uma arquitetura das mais modernas em todo o mundo, mas sem a preocupação em criar casas que sejam acessíveis a um programa habitacional de massas;
  • uma agricultura moderna pelo uso de biotecnologia, equipamentos de mecanização e exportação, ao mesmo tempo que o contingente de desnutridos do país é um dos maiores em todo o mundo;
  • a possibilidade de alguns comprarem água mineral, mesmo que a maioria da população não tenha água encanada e os poços estejam cheios do vibrião do cólera;
  • uma educação moderna com boas universidades e centros de pesquisas, que se concentram em problemas de pouca relação com o aumento da cultura mundial ou com a solução dos problemas nacionais;
  • um país com o maior número de corredores na Fórmula Um, e um dos últimos em práticas desportivas e medalhas nas Olimpíadas;
  • um país que é o maior produtor de remédios para emagrecimento mas que possui um dos maiores contingentes de esfomeados;
  • um país que exporta aviões, automóveis, computadores, tecnologias de construção, que é também o maior exportador de crianças para adoção e, segundo denúncias, para transplante de órgãos.
Percebe-se com tudo isso que, no Brasil, o progresso tecnológico, expresso em termos de investimentos em ciência e tecnologia, se mostrou relativamente eficiente, e no entanto está dissociado da melhoria da qualidade de vida pois está condicionado pelo fato de que a grande maioria do povo permanece excluída dos efeitos da modernização. Os processos atuais que aceleram a modernização de uma parte da sociedade aceleram também – em muito maior escala – a exclusão econômica e o atraso social em todas as suas múltiplas formas, tendo como resultado o aumento da heterogeneidade social e a produção de uma exclusão social. Assim, de forma desigual, em todas as regiões brasileiras, mais urbanas ou mais rurais, estão presentes setores modernos, articulados com mercados globais, ao mesmo tempo que em todas, permanecem marginalizados grandes contingentes populacionais. “Nesse mosaico, modernidade e atraso se misturam, inseparáveis, como faces de um mesmo modelo” (Benjamin et al., p. 82).
Acreditamos que, embora em nosso país o esforço tecnológico esteja divorciado dos aspectos sociais, ainda há possibilidade de integrá-lo ao crescimento social, pois o Brasil, por suas características, não é um país qualquer. O que ocorre é que a população, sem educação para isso, desacostumou-se a refletir sobre si mesmo, acerca de suas necessidades, possibilidades e contribuições tecnológicas para o cenário mundial.
Entendemos, pois, que embora o país tenha feito uma opção equivocada de desenvolvimento, é chegada a hora de dar uma guinada neste processo. Ainda que de forma um pouco lenta o nosso país tem potencial humano e tecnológico para entrar num processo de desenvolvimento real, ou seja, com a inclusão de todos os setores da sociedade. Para tanto se faz necessário buscar uma maior equidade de distribuição de renda e socialização de acesso aos frutos do desenvolvimento e uma educação mais reflexiva. Em especial nas escolas que trabalham a tecnologia. E nessa perspectiva temos que ser pluralistas para incrementar um processo educacional intensivo onde os avanços tecnológicos sejam difundidos, discutidos, assimilados e, e em certas situações, reprocessados internamente e integrados à cultura nacional.